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Igreja Nossa Sra dos Remédios*
Feira de Santana-Ba
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Já se vão 9 anos desde que deixei Feira de Santana . Casei e fui morar no Distrito Federal (isso me lembra tanto as músicas de Legião Urbana !) e há um ano e meio moro em Anápolis- GO.
Minha vontade sempre foi, é e será de voltar para minha terrinha, lá na Bahia, a 105 Km de Salvador, a Princesa do Sertão, título lhe dado pelo Grande Rui Barbosa, o Águia de Haia. Mais de 500 mil habitantes, a capital do interior. Excelente comércio.
Amo a minha cidade, amo a relação que temos, sim porque para mim, as cidades têm vida, têm personalidade, tem características únicas, como as pessoas.
Amo as lembranças que guardo da terra que me viu crescer, onde fui batizada, onde apredi a andar de bicicleta nos fins da tarde com meu pai na Praça Matriz Monsenhor Renato Galvão. Amo as lembranças das arteirices da infância vividas em solo feirense, como chamamos quem nasce ou o que é próprio de Feira de Santana.
Amo a História da minha cidade, que sei de cor, sei onde eram os primeiros prédio públicos, sei da sua formação, dos seus personagens famosos, como Lucas da Feira, um Robin Hood nordestino, ou Maria Quitéria, Ana Neri, entre outros. Sei das suas ruas, sei onde fica o sapateiro a quem posso confiar meus amados sapatos, tenho os vendedores preferidos em cada loja. Lembro dos colégios onde estudei, muitos dos meus professores ainda vão até minha mãe saber de mim. Amo a cultura que Feira de Santana exala. A casa em que passei boa parte da minha vida fica situada entre 3 teatros e dois centros culturais, isso num raio de menos de 500 metros!
Foi em Feira de Santana que surgiu o Carnaval fora de época. Tudo porque chovia muito no período carnavalesco e foram adiando a festa até a chuva dar uma trégua. Isso só aconteceu em abril e até hoje a Micareta de Feira, acontece no quarto mês do ano. Já pulei muito atrás de Chiclete, Ivete, Daniela. Mas também já tive a sorte de participar de exposições, congressos, e festivais de teatro. Foi lá que fui alfabetizada e onde conclui o curso de História, na Universidade Estadual de Feira de Santana.
Sempre gostei de pensar nessa relação nossa com o espaço, com a cidade. Minha linha de pesquisa como Historiadora sempre foi esta. Meus trabalhos sempre se enveredaram por esta faceta, a intervenção na cidade, a sua organização, as mudanças urbanísticas e os conflitos por sua causa, a cultura do e no espaço urbano. Estudei Paris, Londres, Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Salvador e Feira de Santana. Sempre cidades!
Me deliciarei, ainda, um dia, concluindo meu mestrado nesta área.
Eu nasci em São Paulo, mas meu coração, meu amor está enterrado em solo baiano, deve ser porque minha vó, do alto da sua sabedoria de anciã e mulher da roça, enterrou meu coto umbilical em seu quintal, e assim eu o fiz também com os dos meus filhos. Afinal, tradição é tradição e não acredito em bruxas, mas que elas existem, ah, existem!
Este post é um convite, quero apresentar minha cidade a vocês e quero companhia para isso, quem mais quiser mostrar sua relação com sua cidade do coração, a sua Pasárgada. Comenta aí. Faz um post. Eu linko no meu bog e a gente conhece mais cantinhos desse Brasil pelos olhos de quem os ama e conhece bem!
Vamos viajar?
Deixo vocês em companhia de Manuel Bandeira:
"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 9
* A foto que abre este post é da Igreja em que casei. Construida no fim do século XVII.
Foto atual dela:
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